domingo, 31 de março de 2013

tuiuiú - mais fotos

tuiuiú (Jabiru mycteria)
Tuiuiú em um ipê (Tabebuia sp.)

Tuiuiú em uma área alagada cheia de macrófitas

Ninho de tuiuiú em um mandovi (Sterculia apelata)

Tuiuiús junto a colhereiros (Platalea ajaja)

quinta-feira, 28 de março de 2013

lontra

lontra (Lontra longicaudis)

Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae

Tamanho total: 78 a 130 cm. Peso: 5 a 15 kg.
Particularmente, um dos meus animais prediletos. Ocorre do norte da Argentina e Uruguai até o México central. Em quase todos os estados brasileiros, exceto parte da região nordeste. É encontrado em todos os biomas brasileiros, menos a caatinga.
É uma espécie semi-aquática, por isso depende de rios limpos e matas ciliares e de galeria preservadas. Também ocorre em estuários e manguezais. As membranas interdigitais auxiliam na natação e a cauda achatada atua como um remo.
É solitária e de hábitos preferencialmente diurnos, embora haja registros de atividades noturnas. É uma espécie carnívora, se alimentando primariamente de peixes. Também se alimenta de crustáceos, moluscos e alguns estudos mostram que pode consumir pequenos mamíferos, répteis, aves e frutos.
Os ninhos são tocas cavadas na margem do rio, mas podem ser utilizados ocos de árvore também. A reprodução ocorre na primavera. A gestação é de cerca de dois meses e nascem entre um a cinco filhotes. Após o nascimento, a mãe cuida da prole.
As principais ameças à espécie são o desmatamento e a poluição dos corpos d'água. No passado houve muita caça de L. longicaudis para o comércio de peles. Por exemplo, na região de Iquitos, Peru, após a segunda guerra mundial, foram exportados mais de 90.000 peles de lontra. Outros dados mostram que, entre os anos de 1962 a 1967, na mesma região, quase 48.000 indivíduos ou peles foram vendidas para fora do país. A IUCN considera que não há dados suficientes para categorizar o grau de ameaça que a espécie está.
Muito difícil fotografar esse bicho. Normalmente, quando via o animal, ele estava nadando e logo desaparecia. Apenas uma vez na vida pude vê-lo fora d'água e por tanto tempo. Hoplias sp.)

As fotos foram tiradas no rio Abobral, região da Pousada Xaraés, Pantanal sul-matogrossense. Na primeira foto, o indivíduo se alimentava de uma traíra (

Fontes:

Mamíferos do Brasil - Nélio R. dos Reis, Adriano L. Peracchi, Wagner A. Pedro, Isaac P. de Lima.
Libro Rojo de la Fauna Silvestre de Vertebrados de Bolivia - Veronica Zambrana, Paul A. Van Damme, Pilar Becerra.
The Empty Forest - Kent Redford. BioScience, 1992.
www.iucnredlist.org

quarta-feira, 27 de março de 2013

escorpião

escorpião (Tityus metuendus)

Classe: Arachnida
Ordem: Scorpiones
Família: Buthidae

Tamanho: 7 a 9 cm.
Espécie amazônica, dos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará e Acre e no Peru.
Os escorpiões são vivíparos, ou seja, dão à luz a filhotes e não ovos. Um estudo com uma fêmea proveniente da região de Iquitos, Peru, mostrou a ocorrência de arrenotoquia (minha tradução livre do inglês), uma forma de partenogênese (crescimento e desenvolvimento de um embrião, sem a fertilização) em que origina apenas machos. O gênero Tityus tem uma gestação de cerca de três meses.
Escorpiões são predadores, se alimentando, principalmente, de outros invertebrados, mas também de pequenos vertebrados. São terrestres e, em sua maioria, noturnos. Podem ser nocivos aos humanos, mas dificilmente letais a uma pessoa saudável. Os sintomas de uma ferroada de T. metuendus são dor local, queimação, hiperemia (aumento da quantidade de sangue em um determinado local) e edema. Pode levar a problemas cardiovasculares, respiratórios e neurológicos.
O indivíduo da foto foi encontrado no campus da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus.

Fontes:

Reproduction in scorpions, with special reference to parthenogenesis. - Wilson R. Lourenço. European Arachnology, 2000.
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_escorpioes_web.pdf
http://www.cit.ufam.edu.br/prevencao/animais/escorpioes.htm

domingo, 24 de março de 2013

tiê-sangue

tiê-sangue (Ramphocelus bresilius)

Classe: Aves
Macho adulto
Ordem: Passeriformes
Família: Thraupidae

Belíssima espécie endêmica do Brasil, ocorre no bioma Mata Atlântica, de Santa Catarina a Paraíba. Embora a Mata Atlântica esteja sob grande ameaça, o que reduz a área de ocorrência dos animais que ali vivem, o tiê-sangue é considerado fora de perigo de extinção, pois ainda há bastantes indivíduos registrados.
Habita capoeiras, beiras de mata, restingas, plantações e até em parques e praças nas cidades.
É uma espécie frugívora, mas também pode se alimentar de pequenos insetos e suas larvas. Foi beneficiado pela cultura de bananas no Sudeste brasileiro, pois representa uma importante fonte de alimentação.
Macho sub-adulto
A reprodução ocorre na primavera e no verão. A maturidade sexual se dá no primeiro ano de vida, mas o macho só adquire a plumagem vermelho-vivo no segundo ano. A fêmea deposita entre 2 a 3 ovos azulados com pintas pretas e apenas ela choca. Após a eclosão, vários indivíduos cuidam da prole. São duas a três oviposições por temporada e o choco dura 13 dias. A independência dos filhotes é após 35 dias. Os ninhos de R. bresilius são parasitados pelo chopim (Molothrus bonairenses).
Pesa cerca de 31 g e mede 19 cm. O macho é de cor vermelho-vivo com partes pretas e a fêmea é marrom. O macho imaturo é similar à fêmea.
A foto à direita foi tirada no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, lioral sul do estado de São Paulo; a foto à esquerda é da trilha da Urca, Rio de Janeiro.

Fontes:

www.wikiaves.com.br
www.iucnredlist.org

domingo, 17 de março de 2013

jeju

jeju (Hoplerythrinus unitaeniatus)

Classe: Actinopterygii
Ordem: Characiformes
Família: Erythrinidae

Peixe e grande distribiuição, ocorrendo nas Américas Central e do Sul. Bacias dos rios Paraná, São Francisco, Amazonas, Orinoco, Madalena e rios costeiros das Guianas e Suriname. Habita áreas pantanosas e pequenos rios e igarapés com pouca correnteza. Vive em água doce e é pelágico.
Sua bexiga natatória possui uma modificação que permite ao jeju fazer respiração aérea. Também é capaz de se movimentar fora da água. Desse modo, pode sobreviver longos períodos fora da água.
Se alimenta de invertebrados e alguns peixes também.
Fica pronto para a reprodução aos 16 cm e o tamanho máximo é cerca de 25 cm.
Pode ser utilizado como peixe ornamental.
A foto dessa postagem foi tirada em agosto de 2012, época de vazante, na RDS Mamirauá, em frente à Pousada Uacari.


Fontes:

R.D. Oliveira, J. M. Lopes, J. R. Sanches, A. L. Kalinin, M. L. Glass e F. T. Rantin - Cardiorespiratory responses of the facultative air-breathing fish jeju, Hoplerythrinus unitaeniatus (Teleostei, Erythrinidae), exposed to graded ambient hypoxia.
Débora Diniz & Luiz Antonio Carlos Bertollo - Karyotypic studies on Hoplerythrinus unitaeniatus (Pisces, Erythrinidae) populations. A biodiversity analysis.
www.fishbase.org

 

domingo, 10 de março de 2013

gralha-cancã

gralha-cancã (Cyanocorax cyanopogon)

Classe:Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Corvidae

Espécie endêmica do Brasil, ocorre de Minas Gerais e Goiás até o Nordeste inteiro, leste de Mato Grosso, Pará e Tocantins. É uma aves de áreas semi-áridas, mas vem se expandindo pelo Brasil devido ao desmatamento. Já habita áreas de cerrado, matas ciliares, além da caatinga.
C. cyanopogon é onívora, comendo artrópodes em geral, frutos e restos de comida. Pode estocar alimento para comer depois.
Nidifica em árvores altas e deposita 3 ovos.
Está fora de perigo de extinção.
Essa foto foi tirada no Parque Nacional Serra da Capivara, próxima a uma das guaritas de entrada.

Fontes:

www.iucnredlist.org
www.wikiaves.com.br

quinta-feira, 7 de março de 2013

queixada

queixada (Tayassu peccari)

Classe: Mammalia
Ordem: Cetartiodactyla
Família: Tayassuidae

Embora as queixadas sejam semelhantes aos porcos, são classificados em famílias diferentes. Queixadas são muito próximas dos catetos, mas vivem em simpatria com as duas outras espécies.
Ocorre em todas as regiões do Brasil, do norte da Argentina ao Equador, Colômbia à Guiana Francesa e do Panamá ao sul do México. É considerado extinto em partes das regiões sul e nordeste do Brasil, parte do norte da Argentina e outras áreas mais ao norte da América do Sul. Segundo IUCN, a espécie está próxima de ameaçada, com as populações declinando.
Habita uma ampla gama de habitats, como áreas muito úmidas e densas até áreas mais secas. No Brasil é encontrado em quase todos os biomas, sendo mais comum no Pantanal e na Amazônia.
Queixadas se alimentam, principalmente, de frutos, mas também de fibras, raízes, folhas e até uns poucos invertebrados. Para algumas espécies de plantas, queixadas são predadoras de sementes.
Vivem em bandos que podem ultrapassar 100 indivíduos. Algumas pessoas tem medo e consideram as queixadas agressivas. Realmente são animais fortes e que podem se tornar violentos em caso de ameaças, mas, no geral, não partem para o confronto.
videoÉ uma importante fonte de proteína para populações do interior. Sua carne é saborosa e, quando um grupo é detectado, é praticamente carne garantida. A caça predatória à espécie e o desmatamento são fundamentais para colocá-la em ameaça.
As fotos e o vídeo (uma sequência de fotos, na verdade) foram tiradas na Fazenda Nossa Senhora do Carmo, Pousada Xaraés, pantanal Sul, município de Corumbá/MS. Além desse local, já observei queixadas na RDS Amanã, Amazonas.

Fontes:

Arnaud L. J. Desbiez - Wildlife Conservation in the Pantanal: Habitat Alteration, Invasive Species and Bushmeat Hunting. - Tese de Doutorado na Kent Canterbury University

www.iucnredlist.org

sábado, 2 de março de 2013

coleirinho

coleirinho (Sporophila caerulescens)
Macho

Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Famílai: Emberezidae

Também chamado de papa-capim, é uma das aves mais comuns e abundantes do gênero. Apesar de ser uma espécie alvo do tráfico ilegal de animais, procurada pelo seu canto, é considerada fora de perigo de extinção. De acordo com a IUCN, a população está aumentando, possivelmente devido ao desmatamento e a criação de novas áreas abertas.
Vive em áreas abertas e capinzais. Ocorre praticamente em todo o Brasil, mas mais comum nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Também ocorre no norte da Argentina, Paraguai e Bolívia.
Vive em bandos de 6 a 20 indivíduos, alimentando-se de sementes de gramíneas. Assim como outros papa-sementes, ficam em pé sobre a haste do capim, onde se encontram as sementinhas.
Fêmea se alimentando
Se reproduz entre os meses de outubro e fevereiro e, nessa época, ficam em casais. O macho constrói o ninho, feito de gramíneas, raízes e outras fibras, e defende seu território contra outros machos co-específicos. A fêmea deposita dois ovos e pode chocar entre três a quatro vezes por ano. Em 13 dias os filhotes abandonam o ninho e em pouco mais de um mês já estão independentes. A maturidade sexual se dá ainda no primeiro ano. Vivem cerca de 10 a 12 anos.
Mede por volta de 12 cm. O macho é cinza e branco, com um colar preto bem evidente. Possui bico amarelado. A fêmea é parda, mais escura nas costas.
As duas primeiras fotos foram tiradas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a segunda em um hotel fazenda na cidade de Cássia dos Coqueiros, interior de São Paulo.
Macho

Fontes:

www.iucnredlist.org
www.wikiaves.com.br


sexta-feira, 1 de março de 2013

Epictia diaplocius

Epictia diaplocius

Classe: Répteis
Ordem: Squamata
Família: Leptotyphopidae

Conheci esse animal ontem, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Não achei nenhum nome popular para ele.
E. diaplocius é uma pequena serpente, chegando a cerca de 21 cm no máximo. Possui olhos vestigiais, se alimenta de pequenos insetos e suas larvas e para se defender utiliza a ponta da cauda, que possui algo como um esporão e elimina um forte cheiro.
As espécies desse gênero se distribuem pela América do Norte (México e sul dos EUA), América do Sul, Ilhas do Caribe, África e sudoeste da Ásia (região a oeste da Índia).
São animais de hábitos fossoriais, mas podem ser encontrados na superfície do solo à noite ou em dias úmidos, mas também podem viver em árvores.
Muitas espécies da família se movem pela água ou se deslocam pela vegetação aquática. Isso pode ser um importante fator no histórico biogeográfico da família.
Agradeço ao professor Ronis Da Silveira por ter me mostrado esse animal e à Adna, do laboratório de zoologia da UFAM, por ter identificado a espécie para mim.

Fontes:

Marcio Martins & M. Ermelinda Oliveira - Herpetological Natural History, 6(2) - dezembro 1998

Solmy A. Adalsteinsson - Molecular phylogenetics and biogeography of thread snakes (serpentes: Leptotyhlopidae).